O Que é Movimento Maker? Veja Sua Importância e Exemplos

Atualizado em: 2 de junho de 2020 às 10:26

O movimento Maker é um dos mais recentes desdobramentos do conceito “Do It Yourself” (DIY), ou “Faça você mesmo”.

A proposta é simples de entender, prevendo que as pessoas deixam de ser meras compradoras de produtos prontos e passam a ser autoras de seus bens e objetos do dia a dia.

Avance na leitura deste artigo e conheça essa incrível revolução nas relações de consumo em todo o mundo.

O que é o movimento Maker?

Há quem acredite que o começo do movimento Maker foi durante as manifestações hippies nos Estados Unidos, nas décadas de 60 e 70.

Com o tempo, naturalmente as ideias evoluíram e, hoje, são incorporadas à filosofia “paz e amor” elementos como sustentabilidade e uso inteligente dos recursos naturais.

Essa é a essência do movimento Maker: ser um ponto de convergência de pessoas comprometidas em melhorar as suas vidas por meio do consumo sob demanda.

Manifesto

O Manifesto Maker é composto por 10 princípios.

São eles:

  • Faça
  • Compartilhe
  • Presenteie
  • Aprenda
  • Equipe-se
  • Divirta-se
  • Participe
  • Apoie
  • Mude
  • Permita-se errar.

O que é ser Maker?

Ser Maker é entender que não precisamos depender sempre das empresas para ter acesso aos bens de consumo.

É também criar uma nova consciência a respeito da finitude dos recursos naturais, tomando para si a responsabilidade de utilizá-los da melhor forma.

Um Maker é, por isso, um empreendedor sustentável, que constrói coisas para si e para as pessoas ao seu redor.

Como o movimento Maker surgiu?

Tudo leva a crer que o movimento Maker surgiu entre os anos 60 e 70, tendo origem no já destacado DIY – que veio primeiro, já na década de 50.

Eram tempos de pós-guerra, com mão de obra escassa e muito cara.

Sendo assim, não restou alternativa às pessoas na Europa que não fosse “botar a mão na massa” e dar vida aos seus bens de consumo.

De lá para cá, muita coisa mudou e a própria tecnologia facilitou o acesso a diferentes formas de se tornar um Maker.

Mas a proposta e os princípios dela permanecem os mesmos.

A importância do movimento Maker

A demanda por recursos naturais é crescente e a exploração do planeta gera efeitos cada vez mais devastadores.

Nesse sentido, o movimento Maker representa uma resposta da sociedade ao uso indiscriminado das fontes de energia, água e do solo.

Ao reduzir a demanda por produtos industrializados, os Makers colaboram decisivamente para minimizar os impactos de um modo de vida que custa caro para a Terra.

Movimento Maker na educação

As escolas já perceberam que, daqui para a frente, será crescente a busca por instituições que formem pessoas capazes de criar as suas próprias soluções.

Muitas delas já contam com os chamados “Espaços Makers”, nos quais os alunos encontram oportunidades para expandir seus horizontes.

Dessa forma, a escola passa a ser não apenas um lugar de difusão de conhecimento, mas de formação de autodidatas.

O que o movimento Maker desenvolve no aluno

Em um Espaço Maker, o aluno tem também uma chance de desenvolver a criatividade e o espírito empreendedor – características tão em voga hoje e fortes tendências para o futuro.

Afinal, em vez de um simples “depósito” de conteúdos formatados, o aluno passa a ser um agente de mudança.

Saem as aulas engessadas para dar lugar a projetos científicos autônomos e autogeridos, nos quais a escola e os professores são apenas facilitadores do processo de criação.

Movimento Maker na educação infantil

Os mesmos princípios podem ser aplicados na educação infantil, gerando resultados tão bons quanto.

Afinal, é na primeira infância que estão as bases nas quais o futuro adulto deverá se apoiar em suas escolhas profissionais.

Ao estimular a iniciativa própria com jogos e brincadeiras, os Espaços Makers dão uma importante contribuição para a formação básica.

movimento maker na educação infantil
Projeto ROPE da Univali – alunos utilizando impressão 3D para criar seu próprio robô.

Educação científica informal no movimento Maker

Além do Espaço Maker, as escolas também podem disponibilizar outros locais de desenvolvimento de habilidades e competências individuais.

É o que acontece quando os alunos contam com os chamados Fab Lab’s e Biohacker spaces, verdadeiros “celeiros” de cientistas e de livre pensadores.

Vale destacar que o conceito de Fab Lab vem no prestigioso MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos.

O que são Espaços Makers?

É importante deixar claro que Espaços Makers não são simples salas de aula.

Na verdade, eles se aproximam mais de laboratórios, nos quais as pessoas se envolvem em projetos com aplicações reais.

A semelhança com as salas tradicionais fica por conta apenas da presença de orientadores e de ferramentas, indispensáveis para realização das atividades propostas.

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Laboratório Maker

Lembra da oficina do vovô, na qual ele fazia consertos, construía coisas e dava vida às suas ideias?

Então, um laboratório Maker é algo mais ou menos assim, mas com outro nível de tecnologia presente, é claro.

Ferramentas, peças, esquemas, fios e componentes se misturam nesse espaço no qual jovens cientistas têm liberdade para desenvolver seus projetos.

Normalmente, eles se localizam dentro de escolas e universidades e sua função é ser um lugar onde a teoria se transforma em solução prática.

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Fablab do SENAI em São Paulo

Laboratórios de Garagem

Invenções são a forma última da criatividade e a materialização disso depende de profundos conhecimentos, além de suportes materiais e tecnológicos.

Encontrar tudo isso em um espaço colaborativo é o passo mais importante para tornar realidade o sonho de materializar uma ideia.

Os “Hackerspaces” e “Makerspaces” são espaços físicos equipados com máquinas de fabricação digital e estão reunindo adeptos e, se depender da vontade desse grupo, as filosofias aplicadas a poucos ou escassos recursos dão vida à obras de maravilha tecnológica.

Habitat natural dos Makers, os Fab Labs são laboratórios com tecnologias inovadoras para mentes criativas.

Em todo o mundo é crescente a organização de espaços como os chamados de Fab Labs, com o objetivo de democratizar o uso da fabricação digital e estimular a inovação mesmo por quem não tem conhecimento técnico em um ambiente amigável e acima de tudo, livre.

Embora mais expressivos em países desenvolvidos, eles começam a chegar na América do Sul, cujo país de destaque é o Brasil, com unidades em São Paulo, Brasília, Porto Alegre, Recife e Santa Catarina.

Na capital paulista, por exemplo, a discussão já está mais avançada e a proposta já se tornou política pública – alguns laboratórios municipais já estão abertos para testes.

Nesses ambientes compartilhados, equipamentos tradicionais como cortadoras a laser, máquinas de costura, furadeiras, lixadeiras e mesas de marcenaria são instaladas ao lado de tecnologias inovadoras, como impressoras 3D.

A riqueza da oportunidade está não só no acesso aos recursos, mas no conhecimento dos outros Makers que dividem aquele mesmo espaço.

Assim, inventores estão se unindo para experimentar e cooperar mutuamente, além de absorver e distribuir conhecimento em redes conectadas à internet, amplificando o poder de realização desse modelo.

Essa é a essência da cultura Maker: um ecossistema alimentado por comunidades espalhadas em diferentes locais do mundo, engajadas em aprender, ensinar, fazer e compartilhar.

A comunidade Maker no Brasil

Para nossa sorte, a comunidade Maker no Brasil, vai muito bem, obrigado!

Refletindo o que acontece em outros países mais desenvolvidos, por aqui, o movimento tem se destacado em soluções nas áreas de tecnologia, robótica e eletrônica.

Um dos grandes nomes da disseminação da cultura Maker no Brasil é a arquiteta Heloisa Neves, que além de participar ativamente da criação dos Fab Labs no país, é voz ativa na causa das mulheres na impressão 3D.

Além disso, outros bons exemplos de que o movimento Maker está mais que consolidado no Brasil, são os projetos que usam kits eletrônicos de prototipagem, como Raspberry Pi e Arduino.

Outra iniciativa a destacar é a apresentação “The State of the Maker movement in Brazil”, feita por Manoel Lemos na conferência SXSW (EUA) em 2015.

Movimento Maker no mundo

Em nível mundial, o universo Maker tem ganhado força dentro dos chamados Makerspaces.

Estima-se que mais de mil deles se espalhem mundo afora e sua característica principal é servirem como hubs nos quais Makers se encontram para desenvolver ideias e projetos.

Essas ideias podem ser soluções em design, novos produtos ou simplesmente novas concepções de negócios para serem compartilhadas com auxílio de recursos digitais.

Exemplos de produções Maker

As soluções criadas nos Makerspaces podem ser surpreendentemente variadas.

Contemplam desde a produção de cervejas artesanais e compostagem até a fabricação de equipamentos científicos.

Também é possível criar neles roupas e até soluções em limpeza e cuidados para o lar.

Não há limites para os Makers.

Desde que se tenha uma boa ideia, disposição e orientação para fazer bem feito, praticamente tudo é possível.

movimento maker produção maker
Projetos ligados à robótica, à cultura maker e ao STEM são apresentados durante mostra no Amapá — Foto: Cassio Albuquerque/Arquivo G1

Como ser um Maker

Para ser um Maker de verdade, a única exigência é ter disposição e vontade em criar suas próprias soluções.

Há Makers em incontáveis ramos do conhecimento, com destaque para:

  • Impressão 3D
  • Programação
  • Robótica
  • Mecânica
  • Elétrica
  • Eletrônica
  • Marcenaria

Então, se você se identifica com essas atividades, têm boas chances de se tornar um Maker de destaque.

E, se não tem, nunca é tarde para aprender e desenvolver novos conhecimentos, certo?

A impressora 3D é a vedete do movimento criador

Para os markers, talvez a mais valorizada das ferramentas seja a impressora 3D.

Ela é um elemento essencial no movimento, já que permite dar vida a ideias por meio da materialização de uma peça ou produto exatamente igual ao projeto digital.

As impressoras 3D são muito procuradas pelos makers, pois são extremamente versáteis.

Elas possibilitam produzir qualquer tipo de geometria com uma variedade de plásticos e a um custo inicial muito baixo.

Com elas, o que parece coisa de ficção científica vira realidade em objetos tangíveis, com forma, profundidade e, dependendo do esmero, com excelente acabamento.

Todos podemos ser Makers

Nem só de Makerspaces e Fab Labs vive o movimento Maker.

Os Makerspaces oferecem soluções em fabricação digital tanto para engenheiros quanto para crianças. É um ambiente aberto a todos.

Mas nada impede que qualquer pessoa tenha, em sua casa, equipamentos e materiais que permitam concretizar sua imaginação.

A vocação do brasileiro para a engenhosidade e a criatividade é reconhecida no mundo inteiro, especialmente nas manifestações culturais.

Mais que talento, o que vale é a vontade de ser produtivo e a capacidade de utilizar técnicas e tecnologias em prol disso.

Com a redução do custo e a consequente popularização das impressoras 3D, as possibilidades de criação passaram a estar disponíveis não só para grandes empresas, mas para qualquer profissional, sendo amadores e/ou entusiastas.

Aqui, não cabe a comparação com os resultados obtidos em um espaço coletivo de criação.

Tudo tem seu valor.

Tudo começa de alguma forma e, se empolgar com produções menores e individuais, na sala de casa, é um bom começo para a consistência da cultura Maker.

É muito válido ter os primeiros experimentos em casa, utilizando equipamentos como uma impressora 3D de baixo custo para produzir peças de substituição para eletrodomésticos, capas para celulares, caixas organizadoras, brinquedos, objetos de decoração.

Enfim, toda produção que tenha alguma utilidade, mesmo que lúdica, contando pontos para consolidar a filosofia de “fazer você mesmo”.

O futuro do movimento Maker

Aliado à impressora 3D, o movimento Maker está provocando uma mudança radical na forma como empresas, profissionais, empreendedores, estudantes e pessoas que querem se dedicar a um hobby se relacionam com as novas tecnologias.

E isso vale para uso pessoal, personalizado ou para a criação de novos produtos para competir no mercado.

Não é apenas sobre o que a tecnologia pode fazer, mas sim sobre o que nós, juntos, conseguimos alcançar para a humanidade.

Por tudo isso, o movimento Maker é uma forma de produção alternativa às grandes empresas e cadeias tradicionais.

Ao fazer uso de ferramentas como a impressora 3D, permite o surgimento de novas startups para disputar diferentes mercados, mesmo naqueles onde hoje há grandes players.

Portanto, não tenha medo de arregaçar as mangas, realizar projetos e, acima de tudo, entender que o problema não é falhar: é não tentar.

Conclusão

O movimento Maker é, como você pôde perceber, a manifestação de uma característica que acompanha o ser humano desde sempre: a capacidade de transformar seu ambiente.

Você é criativo e gosta de inventar?

Quer ser parte desse movimento e fazer você mesmo algo que possa ser útil para alguém?

Comente aqui suas impressões sobre a cultura Maker e não deixe de se inscrever na nossa newsletter para mais conteúdos como este!

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