Resina para impressão 3D a partir do óleo usado no Mc Donald’s

Atualizado em: 3 de abril de 2020 às 11:36

Pesquisadores da Universidade de Scarborough transformaram o óleo usado de uma fritadeira do Mc Donald’s em uma resina biodegradável para impressão 3D de alta resolução pela primeira vez.

O uso desse óleo de cozinha tem um potencial significativo – é um material mais barato de fabricar e os plásticos produzidos a partir dele podem degradar mais rapidamente em comparação com as resinas de impressão 3D tradicionais.

“As razões pelas quais os plásticos podem ser um problema, são porque a natureza não evoluiu para lidar com produtos químicos feitos pelo homem”, diz o professor Andre Simpson, que desenvolveu a resina em seu laboratório na Universidade de Scarborough.

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Rajshree Ghosh Biswas é uma estudante de doutorado no laboratório do professor Andre Simpson, onde o óleo do McDonald’s foi transformado em uma resina para impressão 3D (Fotos de Don Campbell)

“Como estamos usando o que é essencialmente um produto natural – o óleo de cozinha – a natureza pode lidar com isso de uma forma muito melhor.”

Simpson ficou interessado na idéia quando comprou uma impressora 3D há cerca de três anos. Depois de perceber que as moléculas usadas nas resinas comerciais eram semelhantes às gorduras encontradas nos óleos de cozinha, ele se perguntou se algo poderia ser criado neste sentido.

O desafio foi fazer com que o óleo usado por um restaurante fosse testado em laboratório. Depois de entrar em contato com todas as principais cadeias nacionais de fast food, o único a responder foi o McDonald’s. O óleo usado na pesquisa era de uma franquia de Scarborough.

Simpson e sua equipe usaram um processo químico simples, usando cerca de um litro de óleo de cozinha para fazer 420 ml de resina. A resina foi capaz de imprimir uma borboleta plástica que apresentava características de até 100 microns e era estrutural e termicamente estável, o que significa que não derreteria acima da temperatura ambiente.

“Descobrimos que transformar o óleo de cozinha do McDonald’s tem um excelente potencial como resina de impressão 3D“, diz Simpson, químico ambiental e diretor do Centro de RMN ambiental da Universidade de Scarborough.

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista ACS Sustainable Chemistry & Engineering. Simpson recebeu financiamento do Conselho de Pesquisa em Ciências Naturais e Engenharia do Canadá (NSERC), da Fundação para a Inovação do Canadá (CFI), do Governo de Ontário e da Fundação Krembil.

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Pesquisadores do laboratório Simpson conseguiram imprimir esta borboleta usando resina de impressão 3D derivada do óleo usado.

O óleo de cozinha é um grande problema ambiental mundial, com resíduos comerciais e domésticos causando sérios problemas ambientais, incluindo linhas de esgoto entupidas causadas pelo acúmulo de gorduras.

Embora existam recursos para o desperdício de óleo de cozinha, Simpson diz que não há maneiras de reciclá-lo em um produto de alto valor, como uma resina de impressão 3D.

Ele acrescenta que a criação de uma mercadoria de alto valor poderia remover algumas das barreiras financeiras com a reciclagem de óleo de cozinha usado, já que muitos restaurantes precisam pagar para descartá-la.

As resinas convencionais de alta resolução também podem custar mais de R$ 1.000,00 por litro, porque são derivadas de óleos combustíveis fósseis e requerem várias etapas a serem tomadas.

Todos os produtos químicos, exceto um usado para fabricar a resina no laboratório de Simpson, podem ser reciclados, o que significa que pode ser fabricado por apenas $ 300 dólares por tonelada, o que é mais barato que a maioria dos plásticos.

Outra vantagem importante é a biodegradabilidade. Eles descobriram que, depois de enterrar um objeto 3D fabricado com sua resina no solo, ele perdeu 20% da sua estrutura em cerca de duas semanas.

Leia também: Conheça o PLA (filamento biodegradável).

“Se você enterrá-lo no solo, os micróbios começarão a quebrá-lo porque, basicamente, é apenas gordura”, diz Simpson.

“É algo que os micróbios realmente gostam de comer e fazem um bom trabalho em quebrá-los”.

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Fonte: UT Scarborough

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